terça-feira, 30 de setembro de 2008

Encontrei!


Gente, eu não tinha falado no texto á geração mais burra sobre uma edição da Super, anterior a essa da reportagem sobre o livro de Mark Bauerlein, que trazia os efeitos positivos das redes de conexão? Pois é, eu encontrei aqui em casa, mais precisamente, na minha – lotada – escrivaninha!

Trata-se da edição 243 de setembro/2007 da Superinteressante – edição de aniversário em comemoração aos 20 anos da revista. Quem puder (e quiser) pode encontrá-la em sebos ou no site da mesma na seção edições anterioreswww.sperinteressante.com.br – (só não sei se pelo site será possível ler o texto na íntegra) – vale à pena!

Um aperitivo:

Efeito videogame

“A cultura pop do século 21 está mudando nosso cérebro para melhor. E está formando de médicos mais habilidosos a gente mais sociável. Entenda como os games, a internet e até a televisão aprimoram sua mente.”

Médicos que jogam videogame 3 horas por dia ficam mais habilidosos na hora de operar pacientes.”

“Os games forçam a pensar hipóteses, testá-las e analisar as conseqüências, ou seja, inspiram o pensamento científico.”

Seriados de TV com tramas complexas, como 24 Horas, desenvolvem a inteligência emocional.”

Messenger pode melhorar a performance social dos tímidos – inclusive nas conversas olho a olho.”

Texto: Tiago Cordeiro Edição: Alexandre Versignassi


Lica de Oliveira

domingo, 28 de setembro de 2008

Uma Homenagem à Bossa Nova

Na comemoração dos 50 anos da Bossa Nova, movimento este que levou a cultura brasileira a nível internacional, nada melhor do que assistir os seus dois maiores expoentes promovendo uma união entre música e poesia!!! Esse vídeo inédito é um presente para os admiradores desta dupla. Logo depois, uma música que não está entre as mais conhecidas da Bossa Nova, porém retrata todo o caráter do movimento:



video

Quem pode não gostar de Bossa Nova???



Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba não vou a Ipanema
Não gosto de chuva nem gosto de sol

E quando eu lhe telefonei, desliguei foi engano
O seu nome não sei
Esquecí no piano as bobagens de amor
Que eu iria dizer, não ... Lígia Lígia

Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana
Um chopp gelado em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon

E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão, o seu nome rasguei
Fiz um samba canção das mentiras de amor
Que aprendí com você
É ... Lígia Lígia


E quando você me envolver
Nos seus braços serenos eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo que um raio de sol
É... Lígia Lígia


Lígia - Tom Jobim/Chico Buarque

Por Brenna, a Pata.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Barriga é barriga *


Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no
programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte.
Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido15 anos?
Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista, compositor e intérprete baiano é conhecido como pai da preguiça. Passa 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta leva 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico, completou 90 anos e nada indica que vá morrer tão cedo.**
Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica , musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde...!!!!! E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo.Você terá toda eternidade para ser só osso!!!
Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!!
VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!
Você tem pneus??? Lógico, todo avião tem!!!

*O texto é de Arnaldo Jabor, mas é crítica muito boa àquelas pessoas que vivem para cultuar o corpo "perfeito". Praticar exercício é ótimo, mas tudo tem um limite!Escolha o seu. Nós do De repente, Pagu apoiamos você, seja qual for a sua escolha: barriga sarada ou aquela pancinha, desde que você se sinta confortável e de bem com a vida... Parece auto-ajuda, mas não é!

**Tá vendo, até o Dorival Caymmi agora é magro. Eternamente magro. Uma hora chega pra você!... Que ele descanse em paz!

Lívia Maria


PELAS RUAS DE SÃO LUÍS: UMA ANÁLISE DA OBRA TAMBORES DE SÃO LUÍS SOB O OLHAR TOPONÍMICO


A Toponímia, como um ramo da Onomástica, tem por objetivo estudar historica e lingüisticamente a origem dos nomes designativos de lugares. Segundo Schneider (2001, p.441) “o estudo da Toponímia é de suma importância para o conhecimento da realidade social, histórica, econômica, política e geográfica de uma comunidade, uma vez que, através do estudo das designações atribuídas aos lugares, pode-se recuperar aspectos subjacentes à realidade nomeada”. Com base na Toponímia, faremos a análise da obra Tambores de São Luís, de Josué Montello, seguindo a trajetória percorrida por Damião, personagem principal do romance, tendo como cenário a cidade de São Luís (MA), na segunda metade do século XIX e início do século XX.O romance passa-se em uma única noite e é marcado pelo cruzamento de dois fluxos narrativos em um só plano. Assim, o personagem funde alguns momentos de flash-back, como a sua infância e sua vida de escravo ao seu momento real. A trama inicia-se com Damião indo acompanhar o nascimento de seu primeiro trineto e, de repente, no meio do caminho é surpreendido ao encontrar dois homens mortos em um botequim, fato de suma importância para o imprevisto desfecho do enredo.Assim, em suas andanças e lembranças, transita pelas ruas, becos, praças e largos da cidade. Partindo do Largo de Santiago, o protagonista segue seu caminho pelas ruas de São Pantaleão, do Passeio, Largo do Quartel, Rua dos Remédios, das Hortas, do Navio e chega finalmente ao seu destino, à casa de sua bisneta, que fica entre o bairro da Gamboa e a Quinta da Vitória. Do ponto de vista da toponímia, os designativos das ruas que compõem o seu trajeto sofreram algumas eventuais substituições e/ou desaparecimentos de nomes como o Largo do Quartel, a Quinta da Vitória e o bairro da Gamboa, atualmente Praça Deodoro, Hospital Universitário e bairro Camboa, respectivamente. A Rua dos Remédios (ou Rua Rio Branco) e a Rua dos Navios (ou Rua Almirante Tamandaré) permanecem como nomes paralelos, ou seja, são conhecidos tanto pelo seu nome antigo como pelo seu nome oficial, em geral um antropotopônimo.No que se refere à Rua de São Pantaleão, ao contrário do que muitos pensam, sua nomeação não se atribui a um ato de devoção, por não se tratar de santo (hagiotopônimo), mas de um antropotopônimo por homenagear uma pessoa pública. A motivação deve-se a um senhor chamado Pantaleão Rodrigues de Castro, que mandou construir uma igreja no local, dedicada a São José da Cidade. Mais tarde Pantaleão e seu filho fizeram doação dela à Santa Casa de Misericórdia, consagrando-a Igreja de São José de Misericórdia. A rua, então, em lembrança ao devoto construtor da igreja, passou a ser chamada pelo povo de Igreja de Seu Pantaleão, lexia que evoluiu para São Pantaleão.Já o nome do desaparecido Largo do Quartel refere-se à parte frontal do quartel do Exército que ali existiu. Também foi conhecido como Campo do Ourique, relembrando a batalha em que portugueses cristãos derrotaram os mulçumanos na cidade de Ourique, situada ao sul de Portugal. O antigo largo chamou-se também de Praça da Independência. Atualmente, chama-se Praça Deodoro, em homenagem ao primeiro presidente republicano Marechal Deodoro da Fonseca.
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Carol Rabelinus

Memórias de uma Gueixa


Excetuando-se o célebre O Auto da Compadecida, que para mim, é insuperável, Memórias de uma Gueixa se mostra um dos melhores filmes dos últimos tempos. Belíssimo! Puro bom gosto e sofisticação. Destaque para a cena onde a ainda menina Chyo conhece o Presidente. Existe cena com uma sensibilidade mais aflorada quanto essa? Dizem que é uma versão oriental de Cinderela. Não concordo que o filme seja clichê a esse ponto. Também tem toda a questão de ser uma produção americana, o que causou certa defasagem da tradição e da cultura japonesa, até certa indignação por parte deles. Porém, nada que não tenha sido recompensado pelo resultado final! Mereceu cada Oscar que ganhou, especialmente o de Fotografia, que por sinal, foi um item que não deixou a desejar em absolutamente nada. Todavia, como não tenho a menor pretensão de ser nem aspirante a crítica de cinema, meu intuito aqui é de destacar alguma das principais frases desta adaptação da obra de Arthur Golden, que revelam todo o fantástico mundo das gueixas, marcado por conflitos e contradições. Bom, contando não tem graça! Leiam com seus próprios olhos! Não esqueçam de saborear...


"Não nos tornamos gueixas para buscar nosso destino. Nos tornamos gueixas porque não temos escolha. O que você acha? Que uma gueixa pode amar? Nunca!".


"Você só se pode considerar uma gueixa quando fizer um homem parar com apenas um olhar."


"Gueixas não são cortesãs, e também não são esposas. Vendem suas habilidades, não seus corpos... A palavra 'Gueixa' significa 'Artista', e ser uma gueixa é ser julgada como uma obra de arte ambulante".


"Ela pinta a face para esconder o rosto, seus olhos são águas profundas. Gueixas não têm desejos. Gueixas não têm sentimentos. A gueixa é uma artista de um mundo imaginário. Ela dança. ela canta, ela o entretém. O resto é escuridão. O resto é segredo."


"Não devemos esperar a felicidade. É um presente que não merecemos".


"Não podemos pedir ao sol mais sol, ou à chuva menos chuva... para os homens, as gueixas são apenas meias-esposas, as esposas da noite. Mesmo assim, conhecer a bondade depois de tanta maldade, ver que uma menina mais corajosa do que parecia teria suas preces atendidas, isso não é o que chamamos de felicidade? Afinal, essas não são as memórias de uma imperatriz ou de uma rainha... são memórias de outra espécie... ''.


Brenna, a Pata.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À Geração mais burra


Em setembro tive uma surpresa (bem vinda) que me fez pensar na vida que estou levando.Trata-se da entrevista (muito boa) feita por Eduardo Szklarz (sobrenome que eu não sei pronunciar) concedida por Mark Bauerlein, autor do livro The Dumbest Generation - inédito no Brasil.
Pelo título do livro ( A geração mais burra) já dá pra sentir que vem crítica corrosiva por aí. E é bem isso mesmo! Mark é defensor da idéia de que a internet nos deixa mais estúpidos, e o faz citando resultados de pesquisas realizadas nos Estados Unidos.
Digerindo os fatos colocados por ele e as indagações emitidas pelo repórter da Superinteressante (http://super.abril.com.br/), cheguei a conclusão de que Mark não está (totalmente) errado. Ultimamente, passamos metade da nossa vida envolvidos pelas redes de conexão como a internet, o celular ou mesmo a "inocente" TV. No entanto, há um tempo atrás, a mesma revista publicou uma matéria sobre os benefícios que essa parte da tecnologia opera em nossas vidas.
A matéria, assim como o livro de Mark, era baseada em estudos científicos. Nos informava que médicos adeptos do vídeo-game eram mais bem sucedidos em cirurgias; a rede de mensagens instantâneas fazia crescer e/ou melhorar as relações interpessoais de seus participantes (dentro e fora do computador); dentre outras coisas, que agora não recordo.
Pois bem! Agora fico me perguntando: será?
Será mesmo que toda vida dessa "geração idiota" está baseada numa superficialidade? Será que essa modernidade não nos torna mais capazes de compreendermos nossos anseios, tento em vista que podemos partilhá-los não só com nossos familiares, mas também com outras pessoas espalhadas pelo mundo que pensam e querem o mesmo que nós? Será que não podemos utilizar-nos dessas conexões para ajudar outras pessoas?
Fui criada no mundo dos livros, graças a base proporcionada por minha mãe. Porém, houve um momento em que só o "papel" já não era suficiente. Então, ganhei um computador aos 21 anos.
Graças a rede, posso comunicar-me constantemente com meu pai (que não mora comigo e vive viajando a trabalho), reencontrei amigos de infância, amplio minha gama de informações, recebo os textos dos meus professores de faculdade e ainda aprofundo as pesquisas que estou realizando para minha monografia de conclusão do curso de Licenciatura em Letras.
Será mesmo que somos "a geração mais burra"?

Nota: texto dedicado a todas as pessoas cuja idade não ultrapassa 30 anos.

Lívia Maria

Análise de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra



A percepção da paisagem cultural em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra



O RIO COMO ELEMENTO DE IDENTIDADE CULTURAL

O aspecto cultural no uso e na percepção da paisagem depende de fatores distintos: experiência, atitudes conscientes, comportamentos inconscientes, sentimentos e subjetividades. Na obra Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, o “elemento rio” assume importâncias tanto geográficas quanto simbólicas: primeiramente, ele delimita a separação entre a ilha e a cidade. Esta separação não é apenas territorial, mas também, cultural. A saída e, posteriormente, o retorno do personagem Mariano à ilha gera conflitos acerca de sua identidade cultural:

A separá-los, apenas um rio. Aquelas águas, porém, afastam que a própria distância. Entre um e outro lado reside um infinito. São duas nações, mais longínquas que planetas. Somos um povo, sim, mas de duas gentes, duas almas (COUTO: 2003, p. 18).


Esta distância representa dicotomias: progresso x atraso; tradição x modernidade. O personagem Mariano representa a dúvida, a busca pela auto-afirmação. Representa a necessidade de conhecer-se a si mesmo, de estabelecer raízes com um lugar específico.
Com relação a aspectos simbólicos, o rio é local de acontecimentos emocionalmente fortes, é o símbolo de uma população que atribui valores mitológicos, ritualísticos e sagrados a ele.
Os fatos importantes estão presentes em diversos personagens da narrativa. A cada um o rio atribui significado. Com a personagem Mariavilhosa, o elemento assume um ciclo de vida e morte, afinal o início e o desfecho desta encontram-se no rio. Na verdade, segundo os familiares da personagem, ela apenas retornou ao local de origem:

Talvez se tivesse transformado nesses espíritos da água, que anos depois, reaparecem com poderes sobre os viventes. Até porque houve quem testemunhasse que, naquela derradeira tarde, à medida que ia submergindo, Mariavilhosa se ia convertendo em água. Quando entrou no rio seu corpo já era água. E nada mais senão água (...) água era o que ela era, meu neto. Sua mãe é o rio, está correndo por aí, nessas ondas (COUTO: 2003, p.105).

A trajetória de Mariavilhosa e Fulano Malta teve início no rio, e o fim foi o encontro até ele. Outra característica que deve ser ressaltada é a atribuição do “elemento água” a algo primordial. Este caráter remota ao pensamento do filósofo Tales, que acreditava que a água era a origem e a foz de tudo. É o termo último das coisas, é o sustento das coisas. Este princípio é aquilo do qual tudo vem, aquilo pelo que é, é aquilo pelo qual termina. É elementar, essencial e prossegue. No Dicionário de Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant o rio assume a possibilidade universal e da fluidez das formas. Representa a fertilidade, a morte e a renovação. Para o personagem Dito Mariano, o elemento assume um caráter fértil e ritualístico. No caráter fértil, a paisagem encontra no amor a motivação para a contemplação do rio. O relacionamento amoroso entre Dito Mariano e Admirança tem sua concretização no rio, afinal, numa noite de lua nova, o personagem pede para dormir com a amada. Vale lembrar que o ato de dormir com outra pessoa representa a entrega da alma. O rio é o cenário, é o palco de um amor proibido. É a concretização da fertilidade, pois, após este encontro, os dois geram uma criança que, logo após o nascimento, foi nomeada de água, ou Madzi, na língua local. Este fruto é Mariano que após a revelação da sua origem, encontra sua identidade, conhece seu passado. Com relação à nomeação do personagem, pode-se perceber que houve a tentativa de perpetuar o amor. É o rio que não pode deixar de existir. Representa a conservação da paisagem cultural, um bem que era comum a todos da família. A herança deixada por Dito Mariano foi a paisagem. Esta ligação representa a formação da memória e da identidade, pois numa civilização onde a tradição oral e a cultura têm importância, a ausência destes fatores implica em morte. O rio é o elemento que participa destas relações pessoais, ele compartilha códigos, no qual o símbolo não é apenas um substituto de algo, mas também é um elo de memória e identidade.
O vínculo do personagem Dito Mariano com o elemento estende-se aos rituais de morte, pois seu enterro só foi possível à beira do rio. Numa das revelações ao filho, ele revela a sua síntese com o elemento. Síntese esta que também está presente no filho: “E agora lhe chamo outra vez de “água”. Sim, você é a água que me prossegue, onda sucedida em onda, na corrente do viver”. (COUTO: 2003. p.238). No tocante a aspectos culturais, o rio é sinônimo de costumes, das tradições africanas. O ritual representa a tentativa de preservar a paisagem cultural que deve ser contemplada pela população. Há a expectativa social de que o lugar assuma o papel de bem simbólico, não somente espaço funcional. Desta forma, o local assume a propriedade substutiva do símbolo, capaz de habilitá-los em evocar fatos, processos e relações sociais considerados relevantes à memória coletiva. Esta preservação atende à necessidade da identidade histórica e coletiva.

Ajoelha-se na areia e, com a mão esquerda, desenha um círculo no chão. Junto à margem, o rabisco divide os mundos – de um lado, a família; do outro, nós os chegados. Ficam todos assim, parados á espera. Até que uma onda desfaz o desenho na areia (...) estava escrito o respeito pelo rio, o grande mandador. Acatara-se o costume (COUTO: 2003, p. 26).


Outro caráter que revela a importância do rio na tradição oral é a existência de lendas que fazem parte da cultura local. Numa delas acredita-se que, em noites escuras, as grandes árvores das margens se desenraizam e caminham sobre as águas. Com o amanhecer do dia, elas retornam ao local de origem.
Porém, há um significado que merece destaque: a atribuição de valor que remonta à eternidade. Para o personagem Juca Sabão, o rio não tem começo nem fim, ele é o próprio tempo.
Queria subir o rio até a nascente. Ele desejava decifrar os primórdios da água, ali onde a gota engravida e começa o missanguear do rio (...) o rio é como o tempo! Nunca houve princípio, concluía. O primeiro dia surgiu quando o tempo já há muito se havia estreado. Do mesmo modo é mentira haver fonte do rio. A nascente é já o vigente rio, a água em flagrante exercício (COUTO: 2003, p.61).

A atribuição de valores ao rio depende de cada experiência vivida pelos personagens: a alguns é morte, renovação, é fertilidade. Porem deve-se destacar a importância que permeia toda a civilização africana: a paisagem é mais que um simples código compartilhado; é, antes de tudo, algo sagrado, ritualístico. É parte de toda a nação, é a memória e a identidade cultural que tentam preservá-la.

Por Juliana Belo







quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Poesia de Pagu


"A liberdade e a prisão

Ter um barco que percorra distâncias incríveis


Saber remendar um sapato


Encontrar um amor

Amor de verdade

Ser vento, ser luz, fogo ou carvão


Tudo, tudo, tudo

Menos esta ratoeira”

(Poema de Patrícia Galvão, não publicado e sem título)

Pagu


Composição: Rita Lee e Zélia Duncan


Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta...

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém

Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...

Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem!