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domingo, 29 de março de 2009

Todo mundo conhece, mas ninguém me apresenta

Sempre tive medo de amar demais e ficar louca. Calma, isso não é um testemunho de uma mulher que ama demais. É apenas um desabafo de uma pessoa que possui muitos amigos que eu poderia dizer que são um tanto descuidados, desinteressados pelos meus desejos e pela minha ansiedade. Para quem ainda não entendeu, vou explicar: conheço esse rapaz apenas de corredores. Todavia, mais estreito que um corredor era a relação dele com certos amigos meus. Desta forma, decidi chegar até ele de uma maneira bem curta: a velha e boa apresentação. Selecionando meus amigos, resolvi escolher uma amiga super discreta. O que eu não contava é que ela era a lerdeza em pessoa! Sol e lua dormiam e acordavam e nada dela acordar para minha situação. Naquele ponto, minha ansiedade e meu desejo por chegar aos lábios do rapaz só aumentavam e nada de uma mísera apresentação. Após tanto esperar, ela foi demitida do cargo, pois já estava cansada, louca e obcecada pelo moço. Durante duas semanas ele povoou meus sonhos e no reino das minhas fantasias ele falava comigo, estava comigo e era com-igor. Poucas vezes tive sonhos tão maravilhosos... Voltando à narrativa, percebi que outros amigos o conheciam muito bem. Através deles, descobri o desenho que ele gosta, a bebida e até os palavrões mais utilizados. Senti-me tão perto, tão íntima. Escutava tudo e tentava não demonstrar minha satisfação ao saber de todos aqueles pormenores grandiosos. Confessei que não conhecia o rapaz da mesma forma que eles e que tinha até uma impressão negativa a respeito dele. Todos me prometeram que um dia me apresentariam a ele. Até hoje espero por isso... Outro problema se revelou no dia-a-dia: minha falta de sorte aliada a uma conspiração de todo o Sistema Solar, da Via Láctea e de meus adversários, pois todos o encontravam pela cidade, exceto eu. Então, decidi que não vou desistir. Passei a freqüentar lugares que os pés dele pisam e um dia talvez... Mas não canso de pedir a todos que me apresentem, que digam meu nome, me insiram no mapa de conhecidos desta pessoa. Não fiquei louca de amor, nem amo demais. Apenas o quero. Quero a voz, os beijos e a atenção. Quero apenas dizer: muito prazer, pois sou a sua.

Notas:
qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Isso se trata de um texto de ficção.
Àqueles que o conhecem, mas nunca me apresentaram: amigos como vocês, ninguém merece!
Lívia: valeu pela sugestão do texto
Brenna: você me serviu de exemplo. Nunca pensei que ter uma obsessão fosse tão legal.

Por Juliana Belo

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Aprenda com quem sabe

O texto a seguir é do nosso queridíssimo Arnaldo Jabor, um ídolo entre nós Pagus.
Trata-se de tudo aquilo que passamos em nossos relacionamentos, mas não das situações, e sim de nós mesmos. Nossos medos, indecisões, amores e não-amores.
Aproveitem a leitura e se encontrem... ou se percam!

RELACIONAMENTOS...

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah,terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu!
Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se
somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você
mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te
impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se
não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou
não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice-versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é
compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,
seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração...
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro
universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias..
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se
culpar....
Enfim.... quem disse que ser adulto é fácil?

(Arnaldo Jabor)

Lívia de Oliveira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quando é a hora de seguir em frente (Três dias na UTI a três meses no Ambulatório)


Zangou, Gritou e respirou. Não era a primeira vez que isto lhe acontecia. É realmente difícil quando alguém julga nossas ações. Pior ainda, quando as pessoas em questão são nomeadas de amigos. A vida realmente tinha tomado um rumo diferente. Principalmente após uma viagem interior. O retorno não foi como esperado. E não existe nada pior a ela que perder o controle das coisas. A velha ilusão que temos o controle de tudo quando na verdade, não temos. Enfim, um turbilhão de sensações e sentimentos se apossou sobre sua vida. Como caminho, duas opções: “três dias na UTI a beira da morte ou três meses no ambulatório sem previsão de alta”. Após quilos subtraídos, lágrimas derramadas e olhos que não enxergavam futuro, uma decisão: sair da UTI, porque ficar três meses no ambulatório esperando as coisas acontecerem, não dá, porque o mundo não pára de girar quando você está triste. Na verdade, a impressão que temos é que ele gira ainda mais para os outros, porque vemos todos felizes, quando nossa infelicidade só aumenta. A saída do estado preocupante lhe revelou algumas surpresas: a (re)descoberta de uma beleza que nem ela mesma lembrava que existia. Mas não a beleza das roupas, da maquiagem, dos acessórios. A beleza da alma, a beleza interior, um brilho que todos poderiam ver. A sensação que realmente existem vários caminhos, várias possibilidades, várias surpresas. Todavia, esta profusão de sentimentos nem sempre é compartilhada por todos. Alguns possuem olhares e interpretações sobre atitudes e comportamentos alheios. O que mais a deixou chateada foi a percepção que todos a viam como uma farsante. A alegria demonstrada lhes soava como fingimento. Após a reflexão de todos os fatos, uma constatação: tratava-se de machismo masculino e feminino (uma mulher também é machista). E não existe nada mais irritante a uma “Pagu” que esta forma de encarar a vida. Pois bem, é mais interessante a estes amigos ver uma mulher sofrendo e chorando que vê-la sendo admirada por outro homem. Esse é o espírito! Finalizo com as palavras de um amigo blogueiro, que não posso revelar o nome porque ele é tímido demais para isso: “Hoje entendo que existem coisas que não conhecem o futuro, nascem no presente e morrem no passado. Se queremos seguir em frente e ver que além dos muros do castelo existe um mundo belo soframos pela dor de escalar as altas paredes ao invés de chorar por terem nos trancado sozinhos do lado de dentro”

Notas:
Meu amigo querido, obrigada pelo texto. Deixe com esta timidez, você escreve super bem. Salve Bakhtin. Um texto realmente nasce de outro texto.
Lilik: obrigada pelo texto Simplesmente Pagu. Eu parafraseei o início dele.
Pagus: nós nos entendemos, nos apoiamos e acreditamos umas nas outras. Esse é o espírito: a união e a lealdade.
Por Juliana Belo, revoltada e decepcionada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Simplesmente Pagu

Meditou, tomou banho, bebeu seu chocolate quente e sentou-se a escrever. Não era a primeira vez que aquilo lhe acontecia, no entanto o fato que ocasionou tal sucessão de acontecimentos é que era novo.


Seu grupo estava estático, apático; mas, de súbito, uma avalanche de emoções começou a desabar sobre elas. Era impossível saber o que viria depois. Todas sucumbindo em meio ao caos, a revolução.


Nada melhor do que sair um pouco, ver outras pessoas, respirar velhos ares. Certo era que o lugar escolhido não lhes trazia tão boas recordações, todavia tentar mais uma vez não seria pecado!... E, assim como outrora, fizeram-se bonitas (não que já não o fossem) e partiram como quem vai à luta.


Uma foi pra o seu quarto, cansada de não poder mais, preferiu o som de sua respiração nervosa como companhia, e dormiu. Outra, movida por um desejo que por vezes parece morrer, mas sempre reacende, achou melhor recolher-se a seu canto e esperar um outro dia. Porém três, entusiasmadas com as possibilidades de novos rumos, puseram-se a andar.


Noite fria, outras presenças e: o querido daquela que preferiu a respiração nervosa – não que essa preferência tenha se dado por livre e espontânea vontade, mas por vontade do que nos assombra, o destino – apareceu. E a noite segue meio sem rumo, em tom cinza e não rosa como a bebida que tomavam.


Entravam e saiam como se estivessem procurando algo, mas não estavam. Foi então que encontraram aquele que, apesar de todos os defeitos, enchem-lhes os olhos de qualidades. Ninguém precisa entender o que se planejou e o que veio a acontecer – como diz um amigo: “leiam as entrelinhas”! Daí em diante, tudo parecia correr bem, pelo menos para uma delas. Só parecia!


Enquanto uma era arrastada por inúmeras e surpreendentes revelações, outras tinham sua exuberância festejada. Pode parecer bobo, mas quem não é?! Levante a mão aquele que nunca se viu envolvido por uma bela beleza! – e aqui se faz necessário o uso da redundância.


Fim de noite, dia claro. Resposta que não se pôde dar, vontade que não se pôde (pelo menos ainda) concretizar e incertezas sobre qual caminho seguir. Será?... Segunda-feira começa tudo outra vez... Eis que surgem novos personagens, novos conflitos, novas sementes.


A paixão, personagem principal desta jornada, está ali, vendo o mundo girar, a fila andar, alguém chegar e uma (ou duas) chorar. Ela, mais do que qualquer outra, pode gargalhar de cada uma dessas situações; está conseguindo fazer o que mais gosta: causar dor àqueles que teimam em senti-la. Ah, bandida!


Confinadas numa derrota custosa (num estado desolé) – mesmo não estando todas reunidas -, “construindo” a vida de desapontamentos e falhando-a (atualmente); vão levando e sendo levadas (no sentido de arteiras, malandras, molecas, sedutoras, mulheres). Quem quiser, é só acompanhar!... Por aqui, por favor. Apertem os cintos que lá vão elas. De novo, e de novo, mais uma vez, igual à outra vez, nesse mundo rosa que não pertence só às meninas, mas a todos que dele compartilham. O mundo De repente, Pagu!



Nota: crônicas vêm da realidade.





Lívia de Oliveira

sábado, 11 de outubro de 2008

Desapontamentos


Quando a gente mais espera, é que as coisas não acontecem! Foi assim um dia desses com uma garota que EU conheço bem.

Tudo começou quando uma amiga decidiu mostrar-lhe um cara cujo estilo e simpatia chamavam atenção. Ele era vizinho dessa amiga e os dois trocavam meias palavras quando, raras vezes, encontravam-se pela rua. Nem preciso dizer que a grande porta para esse encontro foi um famoso site de relacionamento (como dizem os jornais por aí; aqui, como não somos tão polidas assim, revelamos nomes): Orkut.

A garota então, atendendo ao pedido da amiga, foi conferir o que “esse cara” tinha de tão atrativo – como dizemos aqui no Maranhão, marocou... marocou... e retornou a sua vidinha habitual. A questão é que, o dito cujo, não contente em marocar de volta a pequena garota, pediu para participar de sua rede de amigos. Até aí, tudo bem...

Passado algum tempo, suficiente para os dois trocarem telefones e e-mails, ele confessa que a adicionou por conta da música que estava no perfil dela – “alguém com essa música no perfil, só pode ser interessante!”, pensou.

Longas conversas ao telefone, recados no Orkut e, enfim, o tão aguardado encontro. Ansiosa ela, ansioso ele, e... não deu certo!

Todo mundo (e quando eu digo “todo mundo” é todo mundo mesmo!) esperava que dali saísse o novo casal. Não que ela não quisesse, mas o cara, “cheio de estilo e atitude”, deixou a desejar.

MENINAS, À LUTA!

MENINOS, ATENÇÃO AOS SINAIS!

Porque aqui o lema é: feministas... nem tanto. Femininas, SEMPRE!

Notas

1. Crônicas vêm da realidade.

2. Brenna, obrigada pelo título!

3. JASSON é o oposto do cara acima. Traduzindo: é o cara-de-pau do bem. MENINOS, mirem-se nele... URGENTE!

4. Como disse Elisa Lucinda: “as coisas acontecem por acaso, e aí, depois que eu escrevo, viram literatura.” Mas isso já é outra história...

Lica de Oliveira