sábado, 11 de julho de 2009

O pato e a palavra


Um dia eu ouvi atrás da porta, e entre as tantas conversas que interceptei, guardei uma que me chamou mais atenção. Tratava-se das coisas remosas. Daí surgiu a pergunta: o que é remoso?
Depois de ouvir uma receita inteira de pato ao molho pardo, sem sangue, como enfatizou uma das partes, já que a conversa ocorrera entre minha mãe e a vizinha do 102 – entendi que aquilo era só comida. Mas... será mesmo?!? Continuei em dúvida.
No fim, minha mãe explicou: o que sai da boca é que é remoso; esse pato é apenas alimento, depois que passa pelo aparelho digestivo vira cocô e vai parar na privada, mas o que sai da sua boca não. As palavras vêm do coração e quando são ditas com ódio, raiva ou qualquer coisa desse tipo fazem mal a você e a quem ouve. Machucam, por isso são remosas.
Com um “é mesmo” de espanto e concordância por parte da vizinha, a história se encerrou e outra ganhou pauta. Remosa ou não, a conversa das duas continuou por mais meia hora, até que se despediram e eu voltei ao meu mundo, como se nada tivesse acontecido.


Por Lívia de Oliveira

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Estágio




Experiência que não tem palavras para descrever o quanto isso foi bom e gratificante.



Por Brenna, a pata e Juliana Belo

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Encontro Marcado

Como ela havia previsto, encontraram-se. E ficaram calados à espera de um gesto, uma palavra, uma atitude. Pareciam os únicos seres no planeta. Ao se olharem, ele percebera que havia fogos de artifício atrás dela, o que contrastava com a alvidez e a maciez daquela pele. Do outro lado, o que ela viu dava ainda mais brilho ao tom ébano, pois à noite, as estrelas só confirmavam o que já estava claro. Desta forma, os dois tinham a certeza que este era o encontro ideal. Estavam mesmo sozinhos no mundo. Nada mais importava a eles. Após os segundos mais longos de ambas existências, ela decidira entregar-se a este Deus que carrega consigo mistério, sensualidade e cujas tranças laçaram-na no reino da fantasia e do desejo "no seu corpo me embalo, me embolo". Em meio a tantos pensamentos e sensações, ele realmente fora o responsável pela inexistência de Eolo "a única coisa que sei é que o ar me falta". Ela sorria de olhos fechados, pois seu presente finalmente havia sido dado. "queria muito poder te presentear".Em forma de agradecimento, ela ofereceu-lhe o mais doce dos chocolates. Contudo, já não desejavam mais sublimar o que dantes era proibido. Desta vez brincaram, lambuzaram, gozaram de felicidade e de prazer. "me ama, me chama, me inflama. Sou tua ama, tua cama, tua dama". Ao amanhecer, ela acordou e levantou o canto esquerdo da boca (num sorriso lamentoso e angustiado), como sempre fizera ao sair do mundo dos sonhos.



Por Juliana Belo



[dedicado a ELE, meu muso]

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Diário do pensador sem fronteiras


Depois de um longo período afastadas, ou melhor, retiradas para repensar e refazer nossos pensamentos e divagações, o De repente, Pagu volta a postar textos. Infelizmente ou felizmente, não sei ao certo, o texto não é nosso. Todavia, é uma produção bem-humorada e interessante de um grande escritor, o Millor Fernandes. Trata-se de uma reflexão e uma brincadeira com as frases mais famosas de certos pensadores e ditados populares. Quem nunca disse uma delas está mentindo, é claro. Espero que todos gostem.

"O coração tem razões que a razão desconhece." Tudo bem, doutor Pascal, mas não se esqueça que a razão tem emoções de que o coração nem suspeita.
"O inferno são os outros." Sartre dizia isso, com sua habitual falta de autocrítica. Mais racional, completo: "Certo, messiê, mas falta dizer: "O céu também".
"Ouço a toda hora pobre e rico, preto e branco, brilhante e medíocre repetindo: "Da morte ninguém escapa!"
Mentira. Da morte todo mundo escapa. O morto nunca sabe que está morto. Quem tem medo da morte e faz essas frases está bem vivo. Da vida é que ninguém escapa.
"Não confie em ninguém com mais de trinta anos", slogavam os hippies . Mas eu me pergunto: "Por que confiar em dimenor?"
"Arte é coisa mental", explicava Da Vinci, mas como se explica tanto idiota pintando, compondo e tocando?
"Só sei que nada sei." Sempre me parece frase dita por um corno manso.
"Penso, logo existo." É frase de moribundo.
"À noite, todos os gatos são pardos." Depois do sucesso dessa negada aí do timbalada, as meninas tão dando pra turma, adoidadas. E murmuram: "À noite todos os pardos são gatos".


Postado por Juliana Belo

Nota: texto publicado originalmente na Revista Veja, edição 2110-n°17. 29 de abril de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Minha Cara, Carolinda


Nasceste aos seis de maio sob o signo de Touro. És possuidora de uma incrível beleza que atraiu e ainda atrai admiradores. “Carolina é uma menina bem difícil de esquecer
Andar bonito e um brilho no olhar (...) Menina Bela, Menina Bela
Maravilha de menina” * Tua feminilidade tem o mesmo poder de atração que o magnetismo dos ímãs, pois o lugar que pisas,assume o tom cor-de-rosa, fica mais bonito, fica mais carolinizado. “Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar” *. É à noite que tua beleza é exposta, da mesma forma que a lua escolhe nos presentear com o seu brilho. Foste nomeada com puro lirismo e poesia, pois teu nome é patrimonio do cancioneiro popular brasileiro. Ao descrever alguém que por ventura se chame Carolina e seja taurina, muitas irão se identificar com este texto. Porém, a pessoa em questão é alguém que tivemos o prazer de conhecer, nós, do De repente, Pagu há quatro anos. Nossa Carolina é a Carol Rabelo, a mulher da noite, das viagens, mas acima de tudo, do companheirismo. Em nome de todas, desejo-te toda a felicidade do mundo neste aniversário. E que possamos ser presenteados com tua presença, o tempo inteiro.

*trechos extraídos das canções Carolina, de Seu Jorge e Chico Buarque, respectivamente.

Por Juliana Belo, representando o De repente, Pagu. Por nós quatro (que amamos-te, sempre ).