domingo, 1 de março de 2009

Mês dedicado à Mulher


Tendo em vista o dia 8/03 que é o dia internacional da mulher, decidi iniciar o mês de março com a proposta de escrever sobre mulheres. Prezados leitores/internautas, vocês não lerão neste blog um apanhado de ideologias feministas ou tentativas de elevar a mulher ao poder. Penso que devemos discutir sobre várias questões que envolvem o universo feminino. O texto a seguir é de um grande amigo baiano, o Lázaro Barbosa que, da mesma forma que nós Pagus, tem um blog. Espero que o texto dele nos incite a boas discussões.

Do clitóris ao papanicolau
Ninfomania não tem mesmo hora pra chegar. Conversávamos, eu e meu irmão, qualquer besteira que não lembro nem importa lembrar agora. Conversávamos, ele lavando roupa, eu lavando os pratos, ao som de Titãs. Eu tava gostando da música, repetia ela várias vezes. Então, confabulando comigo mesmo, comecei a fazer um projeto simples de exegese. A base desta postagem é a primeira faixa do CD Tudo ao Mesmo Tempo Agora.

Vejamos, então, o primeiro verso. Parece um mantra, repete solenemente o nome daquele botão carnal, daquele centro vulcânico da genitália externa da mulher: o clitóris. A etimologia sugere o toque lascivo das partes pudendas: nada como um roçar, vaivém frenético e apetitoso, tanto faz se é o dedo, o pênis ou a língua; o toque delicioso faz estremecer e explodir na volúpia localizada, que não tarda a se expandir e ganhar o corpo inteiro de sua dona (1).Tudo isso a despeito de práticas em certas regiões do globo, notadamente entre muçulmanos no Oriente Médio e algumas etnias africanas, que o enxertam todo, levando embora até a vulva, se necessário. Basta um contato, mesmo o mais efêmero e tímido: então a jovem senhora menina experimenta o que quer o que pode essa anatomia.
No entanto, nem todo mundo gosta desse marcador biológico. Não me refiro a workaholics, adeptos do SM, ou àquelas que, por força de dramas pessoais, congelou e estagnou a sensibilidade daquela jóia dourada. Me refiro à Igreja Católica, uma grande responsável pelo tabu da sexualidade em geral e, naturalmente, ele não estava de fora. Em vez do clitóris, friccionemos o genuflexório na hora da missa. Deixemos o prazer carnal de fora, uma vez que existem prazeres mais sublimes e duradouros para além desta vida. Ainda há o confessionário para ajudar a suprimir esses pensamentos pervertidos. Mas pensemos bem: até que ponto um homem que se diz casto pode orientar os (e principalmente as) fiéis a deixar o sexo – e, conseqüentemente, o clitóris – para depois do casamento? O celibato foi um dos piores dogmas instituídos pelo catolicismo, que tolhe e deforma a sexualidade de clérigos por todo a parte. (Estou pondo de fora aqueles que, sem qualquer coerção – ainda menos a religiosa – , passa muito bem sem o sexo; mas esta é uma minoria cada vez mais minoritária.) Não sem razão, o Opus Dei sai por aí à cata de padres pedófilos, abafando os escândalos sexuais tão recorrentes em lugares como os EUA. Ainda nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles: ê lugarzinho pra ter figurinhas eclesiásticas reacionárias! Lembro de ter lido um capítulo dum livro de Mike Davis (Cidade de Quartzo – Escavando o Futuro de Los Angeles) apenas sobre elas; entre suas atividades, estava incluso um boicote à campanha contra a AIDS e, se não me engano, incentivando o não-uso da camisinha. Então podemos aumentar a promiscuidade assim de qualquer maneira? Duvido que qualquer fiel devidamente esclarecido e com vida sexual ativa – a despeito das recomendações papais, cardinais etc. – evite pegar um pedaço de borracha pra deixar o gozo mais seguro.

E, então, quando pega no ato, a jovem senhora menina sente o peso avassalador da verborragia histérica e precipitada. Agora, ela é chamada de suja; gritam que ela surja, o corpo e a mente imaculados pelas delícias proibidas. Ninguém nem sabe onde ela terá feito, muito menos se terá feito; no entanto, a simples suspeita do líquido grosso, melando seja lá qual for a parte de sua anatomia, é suficiente para arrumar justificativas estapafúrdias e invasivas da intimidade genital feminina. Aborta! Casa! Vai embora desta casa! (2)

Quando não se contentam com o grito, mandam imediatamente para o ginecologista, saber se o lacre está no lugar. Não é bem para isso que serve o papanicolau, mas o simples fato de poder ser feito já implica no diagnóstico positivo por parte dos pais, tutores, madrinhas etc. Implica, mais ainda, um prolongamento vergonhoso da tortura com a mulher, já que o homem pode muito bem sedá-la e fazer o que lhe vier à cabeça. O que era pra ser um exame de prevenção se torna o coroamento do ataque à mulher: (3) até onde sei, quase nenhuma gosta de dar satisfação de quem pega ou deixa de pegar em seu clitóris, não é mesmo?

(1) Alguém, sem entender essa prolixia falsamente intelectual, apenas diz: ah, o negócio é tocar uma siririca na gata, fazer ela gozar bem muito!

(2) Isso me lembrou – mente suja imunda – um grito de guerra, um slogan sardônico e pouco criativo. Não tenho mais o que acrescentar nesse parágrafo, porque a letra já é eloqüente por demais.

(3) Não sejamos tão precipitados: de repente ela esteja brincando de médico com o pé-de-lã e eu não saiba.

texto escrito especialmente por Lázaro Barbosa. Mais textos deste autor disponíveis em:
http://lazarobarbosa.blogspot.com

Por Juliana Belo

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Aprenda com quem sabe

O texto a seguir é do nosso queridíssimo Arnaldo Jabor, um ídolo entre nós Pagus.
Trata-se de tudo aquilo que passamos em nossos relacionamentos, mas não das situações, e sim de nós mesmos. Nossos medos, indecisões, amores e não-amores.
Aproveitem a leitura e se encontrem... ou se percam!

RELACIONAMENTOS...

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah,terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu!
Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se
somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você
mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te
impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se
não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou
não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice-versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é
compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,
seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração...
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro
universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias..
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se
culpar....
Enfim.... quem disse que ser adulto é fácil?

(Arnaldo Jabor)

Lívia de Oliveira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Palavras a ti

Passada a turbulência do abandono, a tentativa de trilhar seu caminho foi uma necessidade. Na sua nova jornada, sensações descobertas. Um brilho que até então estava escondido a fez perceber que o passado ofuscante realmente havia passado. Nos seus encontros, a surpresa: novos corpos, novas danças e um desejo incontrolável de não pertencer a outro, mas a si mesma. Ao ser dona de si, a percepção de que poderia ter outros, beijá-los e devorá-los, pois sempre fora dominadora, altiva e decidida. O mais desejado e cobiçado era também o mais difícil. Ó deus ébano, tuas tranças laçaram-me no mundo da teimosia e do desejo. Ainda serás meu e teu corpo será meu instrumento de brincadeira! Outros vieram e tentaram ganhar seus beijos, seu carinho e até o seu amor, porém, a deusa da noite não queria a companhia de outros, já que a vida lhe ensinara outra coisa: o passado é sempre presente. Em meio às sensações novas, uma ainda é constante: o amor primeiro. Porque sim, foste o primeiro. Não fomos Romeu e Julieta, nem Heloise e Abelard, muito menos Tristão e Isolda. Somos Blimunda e Baltazar, pois me fizeste tua lua e me queimei na luz do teu sol. Elegeste-me tua Capitu e vesti-me como a noite para nosso amor celebrar. Dançaram ao som de Norah Jones e Diana Kral. Cantaram juras e gemidos que entravam pelo ouvido e eram traduzidas pela boca, a mesma que beijava, jurava e engolia toda a fonte de vida e de prazer... Somos aquilo que fazemos. Façamos então...



Por Juliana Belo

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Clichê

Sentada, continuava a questionar-se sobre o que tinha ocorrido há dois dias atrás. Uma conversa cheia de sentimentos com a pessoa que ela jurava estar apaixonada. Foi confuso no começo, pois a criatura não queria revelar-se e depois descobrir que o esforço da verdade não valera de nada!... Contudo, surpresas acontecem.

Assim, de repente, ele começa a desvirtuar os rumos que aquela conversa tomara. Ela, atônita com o que acontecia, tentava não revelar verdades demais, “é muito arriscado!”, disse-lhe uma amiga. Mas ela seguiu o seu homem, o seu coração.

Ambos revelaram desejos, segredos guardados em baús do passado. Ela, contente por ver sua verdade compartilhada, começara a fazer planos, tecer sonhos. Pobre criatura! Ele, inebriado de todas as sensações das quais sofrem os apaixonados, revelou-lhe outros, que por agora, não poderiam se concretizar.

E pensava estar mais calma, ciente do que ocorrera há dois dias, no entanto aqueles calafrios ao vê-lo só aumentavam, ou pelo menos se estagnaram. Tal intensidade (e intenção) crescia, a ponto de não poderem mais. Entregaram-se.

Enquanto ele apagava a luz, mil coisas passavam por sua cabeça, e só uma pergunta restava: ”por que só agora?”... Ela, por sua vez, relembrava o que em diversas ocasiões ouvira de outros apaixonados: “tudo que é proibido...” e não sentiu necessidade de completar. A noite só estava começando.

Confessaram-se um ao outro como um dia fizeram Blimunda e Baltazar, Julieta e Romeu. O primeiro, verdadeiro; o seguinte, proibido. Ambos consumados. Mas o dela, o daquela noite, não. Menos por pudor do que por desejo.

Os calores foram os mesmos, os beijos ardentes foram os mesmos, o sentimento é que era maior. Ela acreditou ser àquela noite; ele acreditou que seria o primeiro e, no fim, era apenas o começo. Vestiram-se. Ao sair confirmou o que ele já sabia e que o desejo dos corpos abafara: “não quero ser a número 2”.

Quando já estava prestes a descer as escadas, deu um último olhar aquele que era seu passado, presente, porém não o futuro. Pelo menos por agora.


Lívia de Oliveira

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE ANO NOVO!!!



A morte é ridícula.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!
(Pedro Bial)

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O "De Repente, Pagu!" deseja a todos um ano novo onde as pessoas vivam o que tenham para viver, se permitam aproveitar a única vida que temos! Busquem novas experiências, esgotem as possibilidades de ser feliz! E que venha 2009!!!!
Por Brenna, a Pata!